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mínimo impacto
em áreas naturais As serras, montanhas e chapadas sempre foram regiões amplamente procuradas pelos ecoturistas em busca de experiências ligadas às atividades ao ar livre. Mais de 100 milhões de pessoas vivem a menos de um dia de viagem das serras localizadas no sudoeste brasileiro. Por sua vez, as chapadas vivenciam um aumento enorme na visitação, pois suas paisagens são muito atrativas a todos interessados em turismo na natureza. Ao mesmo tempo em que nós estamos nos tornando mais sensíveis às questões relacionadas à poluição urbana, destino do lixo e contaminação da água, estamos mais conscientes sobre o impacto que causamos nas áreas naturais que visitamos em busca de aventura e convívio com a natureza. Esse texto visa abordar algumas recomendações de práticas e técnicas que podem nos ajudar a preservar as serras e chapadas que constituem ambientes muito especiais. Elas fazem parte do Programa Pega Leve! e estão incorporadas em oito princípios sobre mínimo impacto. Campos de Altitude Os campos de altitude possuem essa vegetação tão característica com árvores pequenas e tortas cobertas de liquens, arbustos e capins altos principalmente devido a razões relacionadas ao clima. São as baixas temperaturas encontradas no inverno que representam uma barreira às espécies tropicais que ocorrem nos demais habitats da Mata Atlântica. Entretanto, mesmo dentro dos campos de altitude nós podemos encontrar ambientes diferentes como encostas cobertas com capim e grama, brejos, turfeiras, encostas cobertas por bambu, pequenas áreas de mata mais alta e densa e também as rochas. Assim como a Mata Atlântica, os campos de altitude também apresentam uma grande biodiversidade, sendo que muitas das espécies de animais e plantas encontradas nessas regiões são endêmicas, ou seja, só são encontradas ali. Campos Rupestres Os campos rupestres têm uma vegetação constituída, quase exclusivamente, por espécies endêmicas que se desenvolvem nas fendas das rochas, em solo arenoso, nos locais com altitude por volta de 1000 metros. Esses campos estão bastante relacionados ao campo cerrado, que através de um variado relevo apresenta planaltos com árvores de folhas grossas e troncos retorcidos, em meio a uma vegetação rala e rasteira, misturada por vezes, com campos limpos (gerais) ou matas isoladas não muito altas, os capões. Inserida nos cerrados, margeando rios e córregos, encontram-se as matas ciliares, também conhecidas como mata de galeria, caracterizadas por uma vegetação exclusiva, portando raízes adaptadas a correntezas e inundações. E em meio a esses dois ecossistemas - campos de altitude nas serras e campos rupestres e cerrado nas chapadas - encontram-se centenas de quilômetros de trilhas e caminhos, clareiras de acampamento, rochas e rios explorados por ecoturistas à procura das experiências únicas que esses ambientes podem oferecer. O Programa Pega Leve! é baseado em princípios e não em um conjunto de regras. A compreensão desses princípios, aliada ao julgamento individual de cada um e a um profundo sentimento de respeito pela natureza é a base de um programa de educação voltado para a prática de mínimo impacto capaz de contribuir com a mudança de atitude necessária à conservação. |

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Planejamento é fundamental
O planejamento adequado torna sua viagem divertida e confortável, leva você a alcançar seus objetivos e a ter suas expectativas correspondidas, ao mesmo tempo em que minimiza os impactos aos recursos naturais, evitando situações inesperadas que podem estressá-lo, arriscar sua saúde ou até a sua vida e causar danos ao meio ambiente. Os ambientes de chapada e montanha têm características climáticas e tipos de vegetação distintos que requerem equipamentos adequados. Uma barraca de fácil montagem, capacidade para ter auto-suficiência em água e um pequeno fogareiro lhe darão condições de acampar em praticamente todo local que seja mais resistente a impactos (superfícies de rocha e campos com capim). Botas resistentes à água e polainas protegem seus pés da lama e permitem que você caminhe na trilha principal, mesmo se ela estiver molhada ou enlameada. As serras e mesmo as chapadas podem apresentar temperaturas muito baixas, por isso um isolante térmico, um saco de dormir, agasalho e capa de chuva são essenciais para o seu bem estar, eliminando a necessidade de uma fogueira para mantê-lo aquecido. A maioria das áreas de acampamento e as áreas impactadas ao redor dos atrativos como cachoeiras e rios são pequenas. Desta forma, torna-se muito importante viajar em grupos pequenos, para que essas áreas sejam mantidas em seu tamanho atual e não sejam expandidas. Existem várias formas de reduzir o impacto de grupos grandes (mais de 10 pessoas): planejar a viagem por rotas diferentes, dividir o grupo em sub-grupos de até 10 pessoas e utilizar áreas de acampamento diferentes, manter-se fora das áreas de circulação e evitar fazer barulho. Outros grupos que estejam utilizando a mesma área certamente apreciarão esses esforços. Procure aprender sobre a vegetação, os animais e o clima das montanhas e das chapadas. Esses ambientes possuem uma enorme variedade de paisagens que vão dos planaltos rochosos da Mantiqueira aos gerais da Chapada Diamantina, passando por vales e picos. Cada uma delas responde de forma diferente aos impactos causados pelo ecoturismo. O conhecimento e a informação sobre o ambiente que você visita são componentes essenciais que irão compor o julgamento necessário à prática do mínimo impacto. |
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Você é responsável por sua segurança
Nas montanhas ou nas chapadas, pratique a hidratação. Esse hábito irá ajudá-lo a evitar os problemas mais comuns como dores de cabeça, fraqueza e cansaço. Beba ao menos 4 litros de água por dia e lembre-se da necessidade de tratá-la, seja com produtos químicos, por filtragem ou fer-vura. É impossível saber se a água é potável apenas com um exame visual. O melhor é prevenir os problemas típicos como a diarréia e os riscos de águas contaminadas por doenças graves como a hepatite, entre outras. Devido às características do clima a hipotermia é um risco sério em serras e montanhas. Talvez porque estamos acostumados ao clima tropical costumamos subestimar o clima das nossas montanhas e isso pode afetar muito a qualidade da nossa experiência e nos expor a perigos reais. Esteja preparado para o clima frio utilizando equipamentos adequados como os citados no item anterior. Você pode percorrer e conhecer as chapadas e as montanhas usando as trilhas existentes ("terreno não técnico") ou se aventurar por terreno mais rochoso e acidentado, conhecido como "terreno técnico". Caso você faça esta última opção assegure-se de que você possui os conhecimentos adequados sobre orientação e técnicas verticais. Não se arrisque sem conhecimento e técnica, pois as operações de resgate no Brasil são difíceis, caras e demoradas, além de causarem danos às áreas naturais. Os rios também podem representar uma dificuldade e um risco nas atividades ao ar livre em serras e chapadas, principalmente devido às trombas d'água e à dificuldade de travessia após um período de chuva. Aprenda as técnicas adequadas sobre travessia de rios e esteja atento para a ocorrência de trombas d'água. Lembre-se de assumir a responsabilidade por sua própria segurança. Prepare-se com antecedência e adquira experiência nas atividades que pretende fazer. Caminhadas longas em terreno desconhecido exigem conhecimentos específicos e algum treinamento. Caso você não tenha experiência não se arrisque sozinho, procure escolas especializadas ou clubes e associações de praticantes. |
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Cuide das trilhas e locais de acampamento
As técnicas de mínimo impacto apropriadas variam muito se você visita uma área natural popular e já impactada ou se visita uma área remota e muito pouco impactada. Saber fazer essa distinção e aplicar a estratégia adequada para cada tipo de área é um dos objetivos mais importantes de todo conjunto de práticas de mínimo impacto. Em áreas populares e impactadas, concentre o uso: Leia mais detalhes sobre como usar áreas impactadas na seção Caminhadas e Acampamentos. Em áreas remotas e não impactadas, disperse o uso: Geralmente há trilhas, mas elas perdem a definição, pois não são utilizadas com freqüência. Quase sempre não há locais estabelecidos para acampamento. Excursionar por essas áreas requer conhecimento e experiência, além de um grande comprometimento com a prática do mínimo impacto, porque aqui qualquer uso será facilmente notado e atrairá mais visitantes e conseqüentemente mais impacto, até tornar-se uma área impactada. Evite caminhar ou acampar em áreas de vegetação frágil como os charcos. Qualquer vegetação associada a solo úmido é considerada frágil e, portanto deve ser evitada. A vegetação que cresce em áreas de campos de altitude e campos rupestres é geralmente mais suscetível a impactos porque ela se desenvolve sob condições muito restritas de água, temperatura e altitude. Os danos a essas plantas ocorrem muito rapidamente, geralmente após a passagem de poucas pessoas. Assim, escolha passagens mais resistentes como rochas, solo nu e capim. Leia mais detalhes sobre como usar áreas remotas e pouco impactadas na seção Caminhadas e Acampamentos. |
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Traga seu lixo de volta
Nunca é demais lembrarmos que o lixo é um impacto desnecessário e fácil de evitar. Traga de volta tudo que você levar para sua aventura. Embalagens e papel de qualquer natureza devem ser acondicionados em sacos plásticos para serem depositados em local apropriado quando você voltar. Não enterre lixo, porque pode atrair os animais que poderão ingerir as embalagens ou intoxicar-se com comida inadequada. Não queime o lixo porque leva muito tempo para queimar totalmente algum resíduo e isso irá consumir muita madeira além de deixar marcas no solo. Veja os detalhes sobre as técnicas adequadas para o tratamento dos dejetos humanos, restos de alimento e higiene pessoal na seção Caminhadas e Acampamentos. |
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Deixe cada coisa em seu Lugar
As pessoas vistam as áreas naturais para terem a experiência de conviver com a natureza em seu estado primitivo e vivenciarem seus desafios e surpresas. Permita que os outros visitantes tenham essa sensação de descoberta, mantendo as plantas, as pedras, as flores e os animais no seu es-tado natural. Nós todos temos a responsabilidade de manter as áreas naturais bem conservadas para que outros possam visitá-las no futuro e encontrar a mesma paisagem. |
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Não faça fogueiras
A atração pela fogueira existe e para muitos a prática de acampamentos está intimamente ligada às fogueiras noturnas. Entretanto os impactos que elas causam não são poucos - visual, danos ao solo e extinção de madeira disponível - além de representarem um perigo real de incêndio. Assim a recomendação é não acender fogueiras. Mas se você decidir fazê-las, utilize as práticas de mínimo impacto descritas no Caminhadas e Acampamentos. Tenha em mente que a decisão sobre fazer ou não uma fogueira não deve ser tomada arbitrariamente, mas sim com base em informações como regulamentos da área, condições ecológicas, clima, técnica apropriada, nível de uso da área e disponibilidade de madeira. |
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Repeite os animais e as plantas
Embora não seja fácil visualizá-los, as serras e chapadas são ambientes que abrigam diversas espécies de animais. Caminhe em silêncio de forma a não perturbá-los. Forçar os animais a fugir, atraí-los e alimentá-los compromete a sua capacidade de ter uma vida normal. Em épocas críticas como acasalamento ou amamentação, o impacto sobre os animais pode levá-los a abandonar ninhos e filhotes. Tocar um animal silvestre causa um duplo impacto, pois você estará causando stress ao animal e ainda pode ser contaminado por alguma doença que ele eventualmente transmita. Utilize um binóculo e uma máquina fotográfica para registrar sua imagem de um animal visto à distância e ajude a mantê-los selvagens. |
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Seja cortês com outros visitantes e com a população local
É quase certo que você encontrará outras pessoas durante a sua viagem às serras e chapadas. Como foi mencionado no início desse texto esses locais estão entre os mais procurados por pessoas em busca de aventura e convívio com a natureza. Desta forma, torna-se crítico que cada um de nós pratique mínimo impacto em relação à experiência dos outros visitantes, pois esperamos (e precisamos) que a recíproca seja verdadeira, ou ficará cada vez mais difícil ter uma experiência agradável na nossa área natural favorita. Evite o uso de aparelhos de som e rádios portáteis. Os campos e as montanhas são locais especiais que convidam ao relaxamento, por isso evite gritaria e música alta. Nos acampamentos, respeite o direito dos demais desfrutarem os ruídos e os sons da natureza e mantenha silêncio à noite. Aproveite sua viagem para conhecer um pouco mais e melhor a cultura, os costumes e o modo de vida da população local. |







