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mínimo impacto
em áreas naturais cerrado e pantanal O Cerrado e o Pantanal ocupam a extensa região central do Brasil, formando um amplo mosaico de tipos de vegetação, solo, clima e topografia, que agora começam a ser mais conhecidos e procurados por aqueles que buscam o turismo e as atividades esportivas na natureza. São biomas intrinsecamente relacionados, pois as águas que nutrem o Pantanal nascem nos planaltos do Cerrado. Esse importante patrimônio natural brasileiro apresenta uma riqueza de paisagens diferenciadas, de fauna e flora silvestres, de cores e sons que enriquecem a experiência e emocionam a todos que os visitam. Esta edição do Pega Leve! tem o objetivo de difundir a ética e as práticas de mínimo impacto que você deve adotar quando visitar esses locais, de modo a estimulá-lo a uma convivência prazerosa e responsável e ao respeito por nossas áreas naturais. |
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Cerrado Na vegetação do Cerrado predominam arbustos e árvores com troncos e galhos tortuosos, inclinados, providos de casca muito grossa, com folhas largas, freqüentemente duras, lustrosas ou cobertas por pêlos. Este aspecto está associado às altas taxas de alumínio no solo, que o torna pouco fértil e, possivelmente, à ocorrência de fogo, e não à carência de água, como pode parecer, pela sua aparência ressecada e rígida. Os solos do Cerrado são, geralmente, profundos e porosos, com muita água nas camadas mais profundas. As raízes das plantas lenhosas chegam a alcançar até vinte metros de profundidade, garantindo o acesso à água, mesmo no período mais seco. No Cerrado, as áreas abertas não apresentam as condições uniformes das matas, visto que as diferenças de temperatura e umidade do ar entre o dia e a noite, ou entre as estações do ano, com épocas secas e chuvosas, são muito acentuadas. O vento sopra com grande intensidade, a insolação durante o dia é excessiva e a irradiação do calor à noite também é ativa, com rápido resfriamento do ambiente. No inverno seco, de julho a setembro, as árvores e arbustos ficam parcialmente desfolhados. A partir de outubro e durante toda a primavera, o Cerrado explode em beleza devido à diversidade de formas e cores das flores, que se destacam entre o azul do céu e o avermelhado do solo. Com o início das chuvas há farta frutificação, sendo marcante nesta época as revoadas de insetos. Esta concentração de frutos e insetos é responsável pela aglomeração de aves migratórias vindas de outras regiões, para se reproduzirem. Em contraste com esta paisagem típica, a vegetação no fundo dos vales é constituída por densas e viçosas matas ciliares ou de galeria. Essa heterogeneidade abrange muitas comunidades de mamíferos e de invertebrados, além de uma importante diversidade de microorganismos, tais como fungos associados às plantas da região. Nos vales encharcados são comuns as comunidades vegetais chamadas veredas, que se caracterizam pela presença da palmeira buriti e são sempre associadas aos campos úmidos - vegetação periodicamente ou permanentemente inundada. As matas ciliares, serpenteando no Cerrado em enormes extensões, desempenham importante função como corredores de dispersão da diversidade biológica, ligando o interior dos Cerrados a outros biomas circundantes. Outro aspecto muito curioso da paisagem dos Cerrados são os freqüentes montes de terra, conhecidos como cupinzeiros, construídos e habitados por colônias de insetos - os cupins ou térmitas. São verdadeiras fortalezas, com vasto sistema interno de galerias. No início do período das chuvas, os cupinzeiros de algumas regiões ficam iluminados por intensa luz esverdeada, devido à presença de inúmeras larvas de uma espécie de vagalume, transformando a paisagem que, ao cair da noite, se acende em milhares de pontos luminosos. A paisagem do Cerrado é bela ao nascer do sol e especialmente bela no pôr do sol, quando é maior a movimentação da fauna e as cores adquirem matizes muito intensas. A água abundante e agradável dos diversos rios favorece a manutenção de uma biodiversidade surpreendente, além de ser um convite aos banhos e outras tantas atividades aquáticas. |
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Pantanal O rio Paraguai e os outros rios pantaneiros apresentam pouca declividade, da ordem de 20 a 30 centímetros por quilômetro, o que provoca o acúmulo das águas nos períodos de chuvas intensas. Em conseqüência, as enchentes, que chegam a cobrir até 2/3 da área pantaneira, são máximas ao norte nos meses de março e abril, chegando ao sul do Pantanal somente em julho e agosto. As partes mais altas, que não sofrem inundações, recebem o nome de cordilheiras. São elevações arenosas, com até dois metros de altura, estreitas e alongadas, cobertas de vegetação de Cerrado e mata. As partes mais baixas, sujeitas a inundações, recebem o nome de baías ou largos, que são lagoas temporárias ou permanentes, de dimensões e formas variadas. A partir de maio inicia-se a "vazante" e as águas começam a baixar lentamente. Uma grande quantidade de peixes fica retida nas baías, não conseguindo retornar aos rios e, durante meses, aves e animais carnívoros, como jacarés, ariranhas e outros têm, portanto, um farto banquete à sua disposição. Quando o terreno volta a secar, uma fina camada de lama composta por mistura de areia, restos de animais e vegetais, sementes e húmus, permanece sobre a superfície, propiciando grande fertilidade ao solo. Toda a vida e a economia do Pantanal estão ligadas a este sistema de inundações. Sem o abundante e raso lençol freático e os aluviões deixados pelas enchentes, a vegetação terrestre seria parecida com a do Cerrado ou com a do Chaco boliviano. A variedade de espécies vegetais encontrada é enorme, pois o Pantanal une características do Cerrado, dos terrenos alagadiços e ainda espécies comuns na Floresta Amazônica. Por esta razão, a fauna local também é bastante variada. Sendo principalmente um corredor de intercâmbios entre ecossistemas, não abriga muita fauna endêmica, e são as quantidades e não as raridades que o caracterizam. Deste modo, dentre as atividades mais procuradas pelos ecoturistas no Pantanal estão aquelas que se referem à observação da fauna. A alternância das águas - cheias ou seca - proporciona cenários muito variados, que sofrem significativas mutações. A paisagem encanta, principalmente ao amanhecer e ao entardecer, quando todo o Pantanal se transforma em sons e em cores. |
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Planejamento é fundamental
Conhecer as principais características do clima local é fundamental para que você possa decidir qual a melhor época para viajar, com base nos seus objetivos e nas atividades que pretende fazer. O planejamento da sua viagem deve prever, portanto, quais são os equipamentos necessários para que sua aventura se torne mais segura e confortável. Por exemplo, no Pantanal o clima é quente e úmido no verão, mas pode apresentar dias frios e secos no inverno. No Cerrado, é bom lembrar que as altitudes variam de 300 m a mais de 1.000 m e que a temperatura tende a diminuir 1 grau a cada 100 metros de altitude. Planejar para minimizar seus riscos o ajudam a causar mínimo impacto no ambiente, pois evitam situações inesperadas que podem levá-lo a danificar o local visitado, como, por exemplo, cortando árvores para fazer uma fogueira caso não esteja preparado para o frio. Outro exemplo são as chuvas intensas nos Cerrados e Pantanal que, concentradas nos seis meses do verão, costumam ser fortes, de curta duração e freqüentemente acompanhadas de raios e trovoadas. Se a sua decisão for visitar a região no verão, prepare-se para levar uma boa capa de chuva, para você e para sua mochila, e ainda ter sacos plásticos para embalar sua máquina fotográfica e sua comida. Achar um local seguro para esconder-se dos raios, que efetivamente cruzam os céus dos Cerrados nesta época pode ser tarefa difícil, se você estiver atravessando áreas mais abertas com árvores esparsas. Outra questão importante é descobrir quais são os meses mais quentes, pois não é aconselhável percorrer grandes distâncias a pé devido ao calor, à falta de sombra e à distância entre os corpos d'água. Durante as cheias do Pantanal é impossível caminhar por longas distâncias.
Dependendo da época do ano o deslocamento no Pantanal pode ser feito em veículo terrestre motorizado ou à cavalo, de barco com motor de popa, de canoa a remo ou de caiaque, dependendo dos objetivos da sua viagem e da distância a ser percorrida. Sempre que viajar pelos rios da região utilizando barco com motor de popa, escolha os motores mais modernos, de 4 tempos, que são mais silenciosos, mais econômicos e emitem menores índices de gases do que os tradicionais motores de 2 tempos. No caso do Cerrado, áreas de solo arenoso são muito difíceis de visitar no período seco, sem um carro com tração nas quatro rodas. Já nas áreas de solo argiloso a dificuldade está no período úmido, com estradas escorregadias e atoleiros.
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Pesca A pesca esportiva é, por vezes, problemática, principalmente quando compete pelo acesso aos recursos pesqueiros com os pescadores artesanais da região ou quando se torna atividade predatória por permitir o esgotamento dos recursos pesqueiros. Há leis e regulamentos federais, estaduais ou municipais criados para minimizar essa questão que tratam das diferenças por bacia hidrográfica ou região específica, relativas às épocas reprodutivas e piracema. Geralmente, é entre os meses de novembro e fevereiro que ocorre o defeso, período de proibição da pesca. Portanto, para a ética do mínimo impacto, é fundamental seguir as regras estabelecidas. A pesca amadora diferencia-se da pesca profissional por seu caráter não-comercial. Sua regulamentação foi criada, inicialmente, para normatizar os campeonatos de pesca oceânica, fazendo com que determinadas regras fossem respeitadas, com a finalidade de estabelecer diversas categorias dentro do esporte e seus graus de dificuldade, dependendo do equipamento e técnicas utilizadas. Criaram-se assim categorias por espessura de linhas, diferenças entre a pesca com carretilhas e a feita com equipamento de fly fishing (modalidade de pesca esportiva que usa como isca moscas ou outros insetos artificiais) etc. Com a diminuição do número de peixes em conseqüência de diversos fatores, como pesca predatória, poluição e tantos outros, também foram adotadas medidas e criadas novas modalidades com a finalidade de preservar as espécies e desenvolver uma nova ética entre os participantes desta atividade esportiva. Entre as novas modalidades, há uma em especial: o pesque-e-solte. O pesque-e-solte visa devolver à água os peixes fisgados, após serem fotografados, pesados ou medidos. Estudos mostraram que, quando o pesque-e-solte é bem realizado, os peixes devolvidos ao seu habitat se recuperam sem maiores problemas. Deve-se, também, tomar cuidado com o transporte dos peixes. Muitas vezes, apesar de a pesca amadora estar liberada, há restrições quanto ao transporte de pescado. Lembrar que o uso de tarrafas, rede e linha de espera são atividades predatórias condenáveis e devem ser evitadas. |
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| Caminhadas As áreas do Cerrado e as áreas secas do Pantanal são muito extensas, com paisagens que se repetem por muitos quilômetros e que podem tornar a caminhada monótona e estafante. Dependendo da época do ano, sol intenso e tempestades são constantes. Caminhadas longas devem ser preparadas tendo-se em mente estas condições. Portanto, leve água suficiente e aprenda a se orientar em terrenos com poucos pontos notáveis. Além disso, no Cerrado, embora a água seja abundante, os pontos de água (rios e veredas) podem estar cercados por áreas brejosas de difícil acesso, ou estar muito distantes, dificultando as caminhadas de vários dias. Uma idéia pode ser alternar trechos de carro, cavalo, bicicleta ou barco para vencer a distância entre os locais de maior interesse e, quando alcançá-los, fazer pequenas incursões a pé. As veredas ou buritizais (grupamentos da palmeira buriti) são áreas mais frágeis e úmidas, que protegem as nascentes dos córregos e servem de refúgio para os animais. Os troncos mortos dessa palmeira são freqüentemente utilizados por várias espécies de pássaros para nidificação. Portanto, devemos ter muito cuidado quando nos aproximamos desses ambientes, tanto para não afugentar os animais como para não degradar o solo ou as nascentes de água. Se você decidir se aproximar de uma vereda, faça-o a pé e lembre-se de pisar nas áreas onde o solo é mais firme. Se você estiver utilizando veículo motorizado, deixe-o a, pelo menos, 100 metros do local. Os campos úmidos, assim como as veredas, são áreas frágeis. Não tente atravessar um campo úmido para cortar caminho. A travessia, mesmo de trechos curtos, pode ser mais cansativa do que dar toda uma volta para contorná-lo. É comum afundar até o peito na água e lama mesmo percorrendo pequenas extensões, o que pode por em risco sua mochila, equipamento e sua segurança, além de danificar este frágil ambiente. |
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| Cavalos/Turismo Eqüestre Embora os cavalos sejam um meio de locomoção muito utilizado no Cerrado e no Pantanal, por vezes não é permitido em unidades de conservação. Portanto, informe-se antecipadamente sobre o regulamento vigente nas áreas que você pretende visitar. Quando utilizar cavalos, mantenha-os longe de áreas frágeis, como as veredas, ou de áreas com natureza mais conservada, porque o cavalo é uma espécie exótica, ou seja, não é nativo de terras sul-americanas. Planeje bem sua bagagem de modo a não sobrecarregar os animais - fazendo com que eles se cansem e deixem você na mão antes do final do passeio - ou ter que utilizar um número maior de animais. Viaje sempre em grupos pequenos, de modo a não sobrecarregar o ambiente. Desta forma é muito mais fácil manter o controle da situação, escolhendo passagens mais resistentes e espalhando o grupo, no caso de áreas mais abertas. Quando parar para descansar ou acampar, amarre o seu cavalo nas árvores mais grossas, de modo a minimizar as chances de ter galhos quebrados. |
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Embarcações É prudente carregar pelo menos um par de remos, qualquer que seja a distância a ser navegada. Na época das chuvas, a profundidade das baías (que são lagoas temporárias ou permanentes, de dimensões e formas variadas) pode variar de centímetros a metros. Muitas vezes, o motor de popa não é apropriado para a travessia dessas lagoas, pois vai bater no fundo e enganchar na vegetação submersa, remexendo-a ou cavando buracos e danificando as plantas. Neste caso, os remos podem ajudar. Os cuidados com o sol (filtros solar, chapéu, óculos escuros, blusa de manga comprida) são fundamentais, apesar de serem algumas vezes negligenciados, pois quando o barco está em movimento, o vento alivia a sensação de calor, podendo enganá-lo. |
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| Você é responsável por sua segurança | |
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O salvamento em ambientes naturais é caro e complexo, podendo levar dias e causar grandes danos ao ambiente. Portanto, em primeiro lugar, não se arrisque sem necessidade. |
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Nas grandes extensões dos Cerrados a orientação pode ser muito difícil. Esteja seguro que consegue orientar-se corretamente, domine o uso de mapas e bússola. Em algumas regiões, o uso da navegação por satélites pode ser a melhor solução. Não se distancie dos caminhos pré-estabelecidos e tenha água e alimento suficientes. Devido à intensa dinâmica do Pantanal, as paisagens, rios e baías podem mudar em poucos anos, realidade dificilmente mostrada nos mapas. Obtenha o máximo de informações com os ribeirinhos ou contrate um guia de comprovada experiência na região. Deixe alguém da sua confiança informado do caminho que você e seu grupo pretendem seguir, aonde pretendem chegar, quais as opções existentes e quanto tempo pretendem gastar. É importante utilizar repelentes de insetos, dependendo do local visitado, principalmente se você for alérgico. Conheça as doenças endêmicas e epidêmicas da região, tome as vacinas necessárias e conheça as formas de evitar o contágio. | |
| Cuide das trilhas e locais por onde você passa | |
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Acampando, evite áreas frágeis que levarão um longo tempo para se recuperar após o impacto. Acampe somente em locais pré-estabelecidos, quando existirem. Acampe a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água. |
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Evite acampar perto das veredas, que têm os solos mais úmidos e apresentam maior fragilidade aos impactos. Além disso, as veredas são área de nidificação e passagem de animais, local onde os animais vão beber água. Para que você possa ter maiores detalhes das técnicas que envolvem mínimo impacto em acampamentos, consulte o Pega Leve! Caminhadas e Acampamentos Bons locais de acampamento são encontrados, não construídos. Não corte nem arranque a vegetação, nem remova pedras ao acampar. Remova todas as evidências de sua passagem. Certifique-se de que os locais permaneçam como se ninguém houvesse passado por ali. | |
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Ao percorrer uma trilha, em área de campo, espalhe o seu grupo... |
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...de modo que cada um percorra uma trilha imaginária, sem pisar na pegada do outro. Isto reduz o impacto em um único ponto e evita a demarcação de trilhas aonde elas não existem. No caso de você e o seu grupo utilizarem bicicleta, disperse igualmente o uso e preste atenção para não passar sobre os cupinzeiros, evitando também os grupamentos de vegetação. Os solos do Cerrado, se desprovidos de cobertura vegetal, tornam-se presa fácil dos processos erosivos, que podem dar início ao surgimento de cavidades maiores e, num único período chuvoso, transformar-se em voçorocas. | |
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Traga seu lixo de volta Não jogue seu lixo nos rios! Mesmo os mais largos e caudalosos, não devem ser confundidos com locais apropriados para jogar lixo, seja ele orgânico ou não. Para saber mais sobre o que fazer com o lixo produzido, de modo que não represente impacto ao ambiente, leia a edição Pega Leve! Caminhadas e Acampamentos. |
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Deixe cada coisa em seu Lugar
Não construa qualquer tipo de estrutura. Não quebre ou corte galhos de árvores, mesmo que estejam mortas ou tombadas, pois podem estar servindo de abrigo para aves ou outros animais. Resista à tentação de levar "lembranças" para casa. Deixe flores, frutos, sementes e outros elementos naturais onde você os encontrou, para que outras pessoas também possam apreciá-los. Para saber mais, clique aqui. |
| Evite fazer fogueiras | |
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Fogueiras matam o solo, enfeiam os locais de acampamento e representam uma grande causa de incêndios florestais. |
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Um pequeno descuido pode ser a causa de um grande incêndio, principalmente na época da estiagem, quando a vegetação dos Cerrados torna-se bastante ressecada. Não há dúvidas de que incêndios devidos a descargas elétricas ou a outros fenômenos naturais sempre ocorreram nesse bioma e que sua vegetação evidencia adaptações para resistir ao fogo, o que só pode ter sido adquirido ao longo de muitos milênios de evolução. Os incêndios esporádicos foram, entretanto, há muito suplantados pelos incêndios causados pelo homem, que se sucedem anualmente, causando danos irreversíveis aos biomas. Sabe-se que, queimando total ou parcialmente as árvores e os arbustos do Cerrado, os nutrientes por eles extraídos do solo serão distribuídos com as cinzas na sua camada superficial, fertilizando-a. Apesar disso, parte dos nutrientes são lançados à atmosfera, incorporados à fumaça e nela permanecem em suspensão por meses e anos, subtraídos do ecossistema e sem qualquer utilidade. Queimadas freqüentes podem degradar o Cerrado, impedindo a germinação das sementes e sobrevivência das plântulas, eliminando gradativamente as formas arbóreas e convertendo-o em campo limpo. | |
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Para cozinhar, utilize um fogareiro próprio para acampamento. Os fogareiros modernos são leves e fáceis de usar. Cozinhar com um fogareiro é muito mais rápido e prático que acender uma fogueira. |
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Para iluminar, utilize um lampião ou uma lanterna em lugar de uma fogueira. Se mesmo assim, você optar por acender uma fogueira, utilize as práticas de mínimo impacto descritas no volume Pega Leve! Caminhadas e Acampamentos. | |
| Respeite os animais e as plantas | |
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Observe os animais à distância |
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A tentativa de aproximar-se dos animais não vai ajudá-lo a vê-los melhor, porque eles provavelmente se afastarão antes que você perceba. Além de estressá-los, você perde a chance de conhecer diversas espécies em seu habitat natural. Portanto, acostume-se a observá-los de longe e utilize equipamentos, como binóculos, que o auxiliem a perceber detalhes que não podem ser vistos a olho nu. Atirar pedras, pedaços de madeira ou qualquer objeto nos animais, apenas para vê-los em movimento, é inadmissível. Aprenda a respeitá-los, do mesmo modo que você faz quando visita a casa de um amigo. Lembre-se que é você quem os está visitando! Também não há motivo que justifique perseguir um animal silvestre, matá-lo, capturá-lo, ou levá-lo para sua casa. Lembre-se que essa atitude é considerada crime definido na Lei de Crimes Ambientais. A mata ciliar e as veredas atuam como um corredor de fauna e servem como refúgio para muitos animais que habitam as áreas abertas adjacentes. Portanto, cuidado quando estiver se aproximando destes pontos específicos. Cuidado nas estradas com a travessia de animais silvestres. Quem tem consciência do risco de atropelamento é você, pois os animais raramente se comportam como se soubessem que podem ser atropelados. Preste atenção na sinalização da estrada, pois muitas áreas que são conhecidas pelo trânsito de animais estão sinalizadas com o símbolo internacional de animal silvestre. Ao avistar um animal na pista, reduza a velocidade e dê tempo para que o animal se afaste, já que esta é a principal conduta para evitar o atropelamento. Frear bruscamente, na tentativa de desviar do animal pode não ser eficiente e você corre o duplo risco de matá-lo e de provocar um acidente automobilístico, arriscando também a sua vida e a vida de seus passageiros. Redobre sua atenção à noite, quando os olhos dos animais brilham com o farol do carro. Nessa situação, eles geralmente são ofuscados pela luz e ficam paralisados, tornando-se presa fácil. | |
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Respeite os ninhais e dormitórios de pássaros. Mantenha-se longe deles e utilize binóculos para observá-los melhor. Desta forma, você não atrapalhará a dinâmica da natureza e nem perderá a chance de ver esse espetáculo único. |
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Na grande maioria das vezes, esses pontos são alcançados graças às informações de moradores locais, que sabem onde ficam os ninhais e dormitórios de pássaros. Se você estiver em uma área particular ou dentro de um Parque ou outra área protegida, a dica é a mesma: respeite as regras locais e não exceda os limites, caso não seja permitido chegar perto de algum ninhal ou dormitório específico. As veredas ou buritizais oferecem condições muito particulares a certas espécies encontram ali alimentação farta e água, como a arara-canindé e a arara-azul. Em determinadas épocas do ano, essas aves fazem seus ninhos em troncos mortos desta palmeira, e se revezam para vigiar o ninho e para buscar alimento. Você pode observar este espetáculo à distância, com o seu binóculo. Além disso, qualquer barulho adicional, como gritos ou outra movimentação brusca qualquer, pode espantar os pássaros, atrapalhando o processo natural, estressando-os e acabando com sua chance de observar um espetáculo único. Algumas espécies de aves nidificam no solo. A ema cava concavidades rasas no solo, onde coloca de vinte a trinta ovos, pesando mais de 600 gramas cada. Outras espécies cavam verdadeiros buracos no solo para nidificar. Portanto, tome cuidado quando estiver passando de carro, de bicicleta ou a pé, para não se aproximar demais e afugentar a mãe ou danificar o ninho. Evite tocar em ninhos ou nos filhotes que possa encontrar. Essa atitude aparentemente inocente poderá provocar seu abandono, pois, mesmo sem reparar, você deixa sua marca (seu cheiro), o que é suficiente para os pais de certas espécies rejeitarem suas crias. | |
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Os cuidados necessários nas estradas que cortam o Pantanal e o Cerrado |
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No Cerrado e no Pantanal, a distância entre os locais de interesse pode ser muito grande e, por esse motivo, os veículos motorizados são muito utilizados. Além disso, o passeio em veículo motorizado pode configurar uma atividade por si só muito interessante, uma vez que no Pantanal a quantidade de animais silvestres espalhados pela estrada e em pontos específicos (pontos com água represada, por exemplo) é grande. Por esse motivo, você deve controlar a velocidade do seu veículo e redobrar a atenção para não atropelar um animal que esteja atravessando o seu caminho naquele momento. | |
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Observação da fauna silvestre |
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A fauna silvestre é, sem dúvida, um dos grandes atrativos do Cerrado e do Pantanal. Muitas espécies nidificam em áreas comuns, sobre determinadas árvores, conhecidas como ninhais, que se destacam na paisagem pantaneira. Um espetáculo admirável é observar as aves que, quando o sol se põe, chegam em bandos, vindas de várias direções, para alcançar os dormitórios à beira dos rios, onde passam as noites. As aves, reunidas em enormes concentrações, exploram os recursos alimentares aquáticos e são vistas planando sobre as águas, formando um espetáculo de rara beleza. Quando o período da vazante começa, uma grande quantidade de peixes fica retida em lagoas ou baías, não conseguindo retornar aos rios. Durante meses, aves e animais carnívoros (jacarés, ariranhas e outros) têm, portanto, um farto banquete à sua disposição. Para ter sucesso na observação desses animais, você deve se colocar a uma distância suficientemente grande para não ser percebido, utilizar roupas discretas e evitar qualquer atitude que possa estressá-los ou afugentá-los, como ruídos excessivos ou barulho de motor de carro ou barco. Uma dica importante é utilizar equipamentos, como binóculos, que vão ajudá-lo a observar detalhes difíceis de ver a olho nu. É inadmissível atirar objetos (pedras, pedaços de madeira etc) nos animais, seja para vê-los fugir ou para apreciar o espetáculo da revoada das aves. Um exemplo clássico de vandalismo e impacto contundente, que pode ameaçar a fauna além de prejudicar a observação dos animais, é quando se atiram objetos nos jacarés ou outras espécies, com o único objetivo de vê-los se mover ou fugir. Os jacarés são abundantes no pantanal e podem ficar imóveis durante horas, enquanto tomam sol, à beira das lagoas e baías. No Cerrado, a visualização de animais de grande porte é um pouco mais difícil, mas há aqueles que são relativamente comuns, como os tatus, os tamanduás e as antas. No entanto, na maioria das vezes, encontramos apenas seus rastros e evidências. Por isto é interessante levar na bagagem um guia de rastros e ficar atento aos sinais nas estradas e trilhas. Estradas de terra com pouco movimento são ótimos locais para visualização desses animais, principalmente à noite, ou de seus rastros. Plantas, frutos e sementes alimentam a grande diversidade de animais silvestres do Cerrado. Além disso, há madeiras de boa qualidade, óleos vegetais, centenas de plantas medicinais e plantas ornamentais. Embora possa parecer tentador, não leve nada para casa! Essa atitude é fundamental para que você pratique o mínimo impacto. Atitudes inadequadas podem afetar a integridade dos ecossistemas, provocando processos que colaboram para a degradação das relações entre as espécies. | |
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Seja Cortês com outros visitantes e com a população local Ao encontrar moradores na área que você está visitando, trate-os com cortesia e respeito. Comporte-se como um visitante em casa alheia. Peça permissão para passar e para acampar. Colabore com a educação de outros visitantes transmitindo os princípios de mínimo impacto, sempre que tiver oportunidade. Conheça a legislação de pesca, caça e queimadas, e denuncie as atividades ilegais para as autoridades. |






