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mínimo impacto
em áreas naturais Para muitas pessoas as cavernas são apenas túneis naturais, escuros, congelados no tempo, imutáveis e estéreis. Porém, as cavernas estão em constante evolução: processos de dissolução e erosão escavam as galerias e salões e, em condições especiais, desmoronamentos criam aberturas para o céu, conhecidas como dolinas. As estalactites, estalagmites, travertinos e tantas outras formações, chamadas de espeleotemas, são o resultado de complexos processos químicos de dissolução, deposição e cristalização de minerais ao longo de períodos que atingem milhares de anos, lentos aos nossos olhos, mas geologicamente muito dinâmicos. Estes processos podem estar ocorrendo intensamente neste exato momento ou podem ter cessado há séculos. Essa dinâmica está condicionada a diversos motivos, como a mudança do clima ao longo dos milênios, um desmatamento provocado na bacia hidrográfica ou a alteração de acidez da água, por lançamento de poluentes ou mesmo por um visitante movendo uma rocha. O simples caminhar descuidado pode destruir formações únicas que nunca mais se repetirão, assim como potenciais sítios paleontológicos e arqueológicos. A vida no interior das cavernas também merece um cuidado maior, pois é mais rara e mantida por um delicado equilíbrio, totalmente dependente da matéria orgânica trazida do exterior. Desta forma, os cuidados são igualmente importantes do lado de fora das cavernas. Quando visitar uma caverna, seja qual for o objetivo, tenha consciência da responsabilidade de cada ato. Os sinais da falta de consciência dos visitantes estão permanentemente marcados nas cavernas mais visitadas. Espeleotemas quebrados e sujos, grandes áreas descaracterizadas pelo pisoteio, pichações, são alguns danos comuns. Com o grande crescimento do turismo em áreas naturais, nos últimos anos a visitação em cavernas deixou de ser uma atividade desenvolvida apenas por pequenos grupos de excursionistas e pesquisadores e passou a ser uma opção popular, explorada comercialmente. Informar esses novos visitantes é um fator decisivo para a manutenção do ambiente cavernícola em toda sua beleza e complexidade para que esses ambientes não se transformem em túneis estéreis. O Programa Pega
Leve! não pretende ser um conjunto de regras ou regulamentos
incondicionais, mas um conjunto de atitudes que você vai adotar
se achar que são realmente importantes. Utilizar estes princípios
e práticas sempre associados ao bom senso, considerando as particularidades
de cada situação, é um bom começo para garantir
que os demais visitantes tenham a mesma sensação da descoberta
e de aventura que você sente sempre que está em um local
bem conservado. Pega
Leve! você também, adotando a ética do
mínimo impacto e colaborando para a preservação
do nosso patrimônio natural e da diversidade biológica
do planeta. |

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Planejamento é fundamental
O planejamento cuidadoso é um importante fator de redução dos impactos no ambiente natural. Isto se torna um aspecto muito relevante quando se trata de cavernas. As condições encontradas nas cavernas são freqüentemente inóspitas para o visitante despreparado, além do iminente risco de acidentes. A chance de causar danos à caverna, pelo simples desconhecimento do ambiente, é quase certa. A busca de informações faz parte do planejamento, desde o conhecimento de como ocorre a formação das cavernas até o perfeito domínio das técnicas de orientação e deslocamento nestes ambientes. Utilize o equipamento adequado para cada situação e adquira total domínio sobre suas técnicas de utilização. Nunca utilize técnicas ou equipamentos com os quais não tenha treinado antecipadamente e em condições controladas. A presença de espeleólogos mais experientes nestes treinos é recomendada. Preste atenção especial no tipo de equipamento e de iluminação que deverá utilizar. Caso não tenha experiência e queira se tornar um verdadeiro explorador das cavernas procure grupos e associações de espeleólogos, onde poderá obter treinamento e informações necessárias, além de participar das atividades. Visitas realizadas por grupos não treinados, devem ser feitas com acompanhamento de pessoas especializadas em cavernas e devidamente autorizadas. Certifique-se que estas pessoas ou empresas adotam os princípios e as práticas de mínimo impacto e colaboram para que a atividade ecoturística seja, realmente, um fator de desenvolvimento e bem estar para a comunidade local. Por isso, dê preferência a contratar os serviços na região em que se encontram as cavernas que você vai visitar.
Nas áreas administradas diretamente pelo governo, como os parques, o acesso às cavernas costuma ser disciplinado visando à preservação do ambiente ou a proteção de experimentos científicos. Em alguns locais, o acesso pode ser muito restrito ou mesmo totalmente proibido. Muitas cavernas que não são regularmente utilizadas para o turismo, necessitam de permissões de visita e pesquisa solicitadas com antecedência. Caso seu propósito seja: exploração espeleológica, pesquisa científica, tomada de imagens ou outro motivo qualquer, apresente ao órgão responsável pedido de autorização, anexando um projeto detalhado. Com base nessas informações será possível avaliar se suas atividades não irão causar riscos ao ambiente ou se estão de acordo com as leis e regras para aquela área. O CECAV - Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas, do IBAMA, é o órgão que possui competência legal para encaminhar as questões relativas à proteção e manejo de cavernas no Brasil. Em terras particulares o proprietário pode não permitir a passagem. Sempre peça permissão para entrar, explique seus propósitos e evite desentendimentos. Cavernas já exploradas (conhecidas e mapeadas por espeleólogos) freqüentemente possuem levantamentos topográficos (mapas) e informações complementares que são muito importantes para o planejamento da sua visita. A escolha dos equipamentos e vestuário adequados deve ser feita a partir destas informações que estão disponíveis em algumas publicações especializadas ou em arquivos da Sociedade Brasileira de Espeleologia- SBE e dos grupos espeleológicos. Mesmo em expedições de exploração de cavernas ainda desconhecidas, reúna o máximo de informações como, mapas topográficos, dados sobre chuvas e acessos. Contrate mateiros da região que sabem onde estão as bocas, sumidouros e ressurgências e as trilhas que levam até esses locais, evitando assim a abertura de novas trilhas e perda de tempo.
Informe-se previamente sobre as condições climáticas da região que pretende visitar e evite viajar para cavernas em épocas de chuva. Muitas cavernas podem inundar-se com chuvas repentinas na cabeceira dos rios que as formam. Passagens baixas podem ser totalmente fechadas com uma cheia repentina, os chamados "sifões", que bloqueiam a passagem. O retorno da água ao nível normal pode levar desde poucas horas até dias. Abismos (cavernas verticais) que possuem entradas no fundo de dolinas podem se transformar rapidamente em cachoeiras durante uma chuva forte ou uma tempestade, dificultando ou impedindo a saída. Nesta situação, o risco é grande para quem está subindo ou descendo pelo caminho das águas. Em regiões mais quentes, como o nordeste do Brasil, também existem cavernas que oferecem riscos, tanto pela falta de água como pelo excesso de calor, principalmente no período mais seco.
Grupos de até 8 pessoas para cada guia experiente costuma ser um bom número para a maioria das cavernas. Este número deve ser somente uma referência, a dificuldade da caverna e as limitações do grupo devem ser cuidadosamente consideradas. Grupos maiores devem ser divididos e entrar na caverna separados por intervalos de, no mínimo, 15 minutos, evitando encontros no interior. Cavernas e salões pequenos, com pouca renovação de ar, devem receber poucas pessoas, pois a concentração de gases pode ser perigosa, além de apresentar a possibilidade de alteração do desenvolvimento dos espeleotemas e riscos à fauna. Como a formação de muitos espeleotemas depende da liberação de gás carbônico da solução para o meio, o excesso deste gás proveniente da respiração por períodos prolongados pode alterar o seu desenvolvimento normal. O calor dissipado pelos visitantes é outro fator que pode perturbar estes pequenos salões. Assim, quanto menor, menos ventilado e mais dotado de espeleotemas, o salão deve receber menos visitantes, que devem entrar em intervalos maiores.
O excesso de pessoas dentro da caverna é um potencial fator de degradação. Algumas cavernas foram preparadas para receber visitação mais intensa, com passarelas e iluminação, mas, mesmo assim, gás carbônico, luz, calor e ruído em excesso são fatores indesejáveis de impacto. A sensação de passar por um local intocado e único também é desfeita pela aglomeração de pessoas. Nestas datas, procure os locais menos visitados, aproveitando sua maior disponibilidade de tempo para conhecer as cavernas mais distantes. |
| Você é Responsável por sua
Segurança
O excesso de confiança e a utilização inadequada de equipamentos são as causas mais freqüentes de acidentes. Se você pensa que é capaz de se expor a riscos e sair ileso de qualquer situação, será um forte candidato a um acidente. O deslocamento em ambiente subterrâneo pode ser muito extenuante, em especial quando há muitos trechos com água. Não é raro necessitar de força e habilidade para vencer os obstáculos naturais. Caso não esteja em boas condições físicas para suportar horas de esforço contínuo, reveja seus planos. Se você está exausto, também está muito mais propenso a cometer erros de julgamento, errar ao montar um sistema de segurança, perder o caminho ou, simplesmente, tropeçar e cair sofrendo algum tipo de acidente que não ocorreria em condições normais. Também estará expondo seus companheiros ao risco de acidentes. Em contato com a água o corpo perde calor muito rapidamente exigindo movimentação constante, vestimentas adequadas e reposição de calorias (alimentação). Inadequadamente vestido e agasalhado você será um forte candidato a hipotermia, condição em que seu corpo perde mais calor do que consegue produzir, podendo levar a morte se não for revertida a tempo. Pessoas muito magras devem tomar mais cuidado, por apresentarem maior propensão a hipotermia. Em cavernas quentes o risco é de intermação - o aumento da temperatura corporal - e desidratação, igualmente perigosas. Vencer obstáculos que necessitem de técnicas verticais como rapel e ascensão por cordas só deve ser realizado com o auxílio de pessoas treinadas e equipamento específico para cavernas, que pode ser diferente dos equipamentos para atividade vertical ao ar livre. Se forem indevidamente aplicadas ou praticadas com equipamentos inadequados, essas técnicas facilmente causarão tragédias.
Calcule o número de horas que você permanecerá na caverna e leve água, alimentos, carbureto e pilhas suficientes para exceder em 50% o tempo de permanência que foi planejado, prevenindo atrasos e contratempos que poderão por seu grupo em risco, caso não leve esse excedente. Esta proporção pode ser alterada conforme o tipo de dificuldade que se espera encontrar. Se a caverna é toda percorrida por um rio não há necessidade de muita água. Para uma caverna seca e em região quente, levar em dobro o volume de água necessária é um importante fator de segurança. Muitos espeleólogos possuem um pequeno conjunto de itens guardados em embalagem estanque para atender emergências. Costumam compor este kit: lanterna pequena e estanque, pilhas reserva, velas, isqueiro, fósforos, papel, lápis, algum alimento energético, apito, canivete, cobertor de emergência, entre outros itens, conforme a preferência pessoal. Lembre-se que em cavernas molhadas ou em regiões mais frias um agasalho é indispensável. Esse agasalho deve ser confeccionado de material que mantenha o seu corpo aquecido mesmo se estiver molhado. Muitos espeleólogos utilizam trajes de neoprene para mergulho ou surfe, que permitem manter o calor do corpo durante longos períodos dentro da água. São muito eficientes, porém pesados e muito quentes quando usadas fora da água. Para entradas rápidas na água prefira os agasalhos de fibras sintéticas conhecidos como plush ou pile. São materiais bastante leves e eficientes que não retém água. O náilon grosso costuma ser o material para o traje externo, os macacões de caverna. Lembre-se que você passará muitas horas molhado. Evite agasalhos de algodão, tipo moleton, que quando molhados pesam muito, perdem toda capacidade de reter o calor de seu corpo e demoram muito para secar. Nas explorações de cavernas desconhecidas (não exploradas ou não mapeadas) redobre os cuidados. Não assuma atitudes de risco. Em locais de difícil orientação como bifurcações e desmoronamentos não faça marcas definitivas para indicar o caminho, prefira levar um conjunto de fitas plásticas, de cores vivas. Lembre-se que todas as fitas deverão ser retiradas no retorno ou durante a topografia. Pense muito antes de deixar uma marca de caminho de difícil remoção. Tenha certeza que é o caminho certo e a marcação está colocada em local visível. Evite o uso excessivo de marcas, dispondo-as apenas onde forem indispensáveis.
O uso de capacete não é opção, é uma necessidade, alem de suportar o sistema de iluminação é item indispensável de segurança. Há muitos tipos no mercado, informe-se com espeleólogos e em lojas especializadas. Um item fundamental para quem se aventura nas cavernas é a fonte de luz. Mas esta fonte de luz pode ser também uma grande fonte de impactos para a caverna. Muitos espeleólogos utilizam a luz de acetileno, gás produzido pela reação da água com o carbureto. Este tipo de iluminação, mais difusa, permite uma visão ampla e confortável. Porém, seu uso tem que ser cuidadoso, pois gera fuligem que impregna a superfície da caverna, principalmente em salões com tetos baixos. Além disso, gera uma grande quantidade de resíduo, a cal, que nunca deve ser deixada no interior de uma caverna. Em função dos subprodutos indesejáveis dessa queima, muitos espeleólogos preferem iluminação elétrica, por ser menos trabalhosa e não formar detritos. Lembre-se: nunca deixe carbureto usado (cal) e pilhas na caverna. Se você usa iluminação de acetileno, adote o hábito de apagá-la em salões pequenos e muito ornamentados por espeleotemas, assim como em salões pouco ventilados, utilizando apenas iluminação elétrica. Respeite também, quando houver, as restrições ao uso de desse tipo de iluminação. Equipamentos para vencer obstáculos verticais como cordas, mosquetões e aparelhos de decida devem ser especialmente fabricados para uso em cavernas. Evite improvisações ou adaptações. Por exemplo: cordas de escalada são totalmente desaconselhadas para técnicas verticais em caverna e não são fabricadas para suportarem as duras condições de abrasão e umidade comuns nesses ambientes. Evite Instalar ancoragens (meios de fixação na rocha) em excesso, mas sem sacrificar a segurança. Prefira pontos de ancoragem naturais. Adquira o equipamento adequado e saiba usá-lo corretamente para garantir a sua segurança e a integridade do ambiente cavernícola.
Tenha sempre mais de uma fonte de luz disponível. Entrar somente com uma lanterna ou lampião em qualquer caverna é assumir um grande risco, pois qualquer falha do equipamento pode significar a sua vida. Além da iluminação presa ao capacete, é comum dispor de uma lanterna de mergulho na cintura ou pendurada no pescoço, completamente estanque, com luz intensa e concentrada para iluminação de grandes distâncias e como alternativa à fonte principal. Na mochila, é comum encontrar mais uma ou duas lanternas e estoque de pilhas para 50% além do tempo de permanência prevista na caverna. Sempre que utilizar uma lanterna de mão ate-a ao seu corpo com um cordim forte e com um nó que não abra acidentalmente. Deixar cair, quebrar ou perder a sua lanterna pode ser muito inconveniente e arriscado, além de poluir a caverna. Caso você julgue melhor utilizar o carbureto, tome cuidado especial para evitar que ele se molhe, isolando-o em embalagem completamente a prova d'água, que suporte submersão. Não utilize lampiões volumosos e pesados que não possam ser transportados em uma mochila pequena. A possibilidade de caírem e se quebrarem é grande. Os mais indicados são os lampiões compactos que utilizam cartuchos de gás descartáveis. Mas, lembre-se de sempre trazer os cartuchos vazios de volta para serem descartados em local adequado.
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Cuide das Cavernas e do Ambiente que as rodeia
Costumamos chamar de espeleotemas os fenômenos geológicos típicos que se formam nas cavernas. As estalagmites e estalactites são os mais conhecidos e evidentes, mas há muitos outros, desde as mais delicadas como canudos delgados e formações que se assemelham a flores, sujeitos a se quebrarem ao mais leve toque, até grandes deposições com centenas de metros quadrados como escorrimentos.
Não toque nos espeleotemas. Muitos podem quebrar com o mais leve toque. Mesmo os mais robustos ficam sujos e desinteressantes, em contato com as mãos. A existência de gotas de água em estalactites e outras formações indica que ainda estão em formação, mesmo que a gota pareça estar lá há muito tempo. Esse é um processo lento que pode durar centenas, ou até milhares de anos. Por isso, não toque nem interfira nesse gotejamento porque você poderá alterar definitivamente esse raro processo natural. Isso também vale para o local onde o gotejamento atinge o chão, ou as estalagmites. Evite aproximar a chama do carbureto de qualquer espeleotema, do teto ou das paredes para evitar enegrecê-los com fuligem. Em locais onde ocorram espeleotemas muito brancos ou delicados, apague a iluminação de carbureto e use a elétrica para evitar o enegrecimento. Caso seja inevitável usar algum espeleotema como apoio ou ponto de ancoragem, limpe as mãos e proteja-o da melhor forma possível, evitando atritar as fitas e cordas contra a superfície, sempre utilizando fitas limpas.
Em cavernas distantes ou muito longas, os trabalhos de pesquisa e levantamentos exigem que passemos muitos dias no seu interior. Prefira acampar a uma certa distância da boca da caverna. Caso não haja outro local disponível, lembre-se que acampar na boca ou no interior de uma caverna exige cuidados maiores que acampar em ambientes que possam absorver melhor os impactos. Para maiores detalhes de como acampar com mínimo impacto consulte o Pega Leve! Caminhadas e Acampamentos. Sempre que estabelecer a boca da caverna como base lembre-se que todos os dejetos e resíduos devem ser mantidos à distância ou trazidos de volta. Para satisfazer suas necessidades fisiológicas afaste-se ao menos 60 metros da boca da caverna e de corpos de água. Evite também os locais protegidos da chuva por abrigos e tetos. Os utensílios de cozinha também devem ser lavados no exterior da caverna. Tenha maior cuidado se estiver próximo a um sumidouro (rio que entra em uma caverna) para evitar que qualquer detrito ou dejeto seja carregado para dentro da caverna. O bom planejamento das refeições evita cozinhar mais comida que o necessário, não produzindo restos. Se for imprescindível cozinhar no interior da caverna escolha salões amplos e bem ventilados para evitar que vapores e gases possam interferir no ambiente. Se utilizar os utensílios de cozinha apenas uma vez, guarde-os para serem lavados em local adequado após sair da caverna. Se for preciso limpá-los dentro da caverna, prefira fazê-lo apenas com o auxílio de papel absorvente que deverá ser retirado da caverna juntamente com os demais resíduos.
Acampamentos na zona em que não chega mais luz (zona afótica) devem ser evitados, porém podem ser necessários em expedições exploratórias, de pesquisa ou de levantamentos. O local escolhido deve ser um salão amplo e bem ventilado. Nunca acampe em salões pequenos e sem ventilação porque, além do risco de vida, a chance de provocar impactos negativos é muito maior. Não estenda seu saco de dormir sobre espeleotemas ou em locais onde ocorra gotejamento. Não escave, não mude nada. Faça o máximo para deixar o local do jeito que você encontrou. |
Traga seu lixo de volta
No ambiente cavernícola devemos levar às últimas conseqüências o princípio de trazer tudo de volta. Devemos fazer todo o possível para não alterarmos o ambiente das cavernas. O lixo é o sinal mais evidente do descuido que leva a degradação e está, quase sempre, associado aos nossos hábitos e atitudes ligados à alimentação.
Dejetos humanos deixados em uma caverna levarão anos para se decompor, causarão mal cheiro, são fonte potencial de contaminação, além de desequilibrar o delicado ecossistema. Se você sentir necessidade de ir ao banheiro, tenha a mão uma garrafa descartável para armazenar sua urina e sacos plásticos para armazenar suas fezes. Não esqueça também de recolher o papel higiênico e os absorventes utilizados. Para estadias mais longas é recomendável depositar as fezes em um ou dois sacos de papel, juntar um pouco de cal (pode ser da carbureteira) e acondicionar o pacote em um tubo de PVC de 4 polegadas de diâmetro (aproximadamente 10 cm), com tampa em ambas as extremidades, conhecido por shit tube. Você também pode optar por qualquer outro recipiente, desde que seja estanque. Tudo deve ser levado para fora da caverna e o conteúdo do tubo de PVC pode ser descartado em um banheiro comum. Prefira fazer isso em locais onde haja tratamento adequado de esgotos, para evitar que seus dejetos sejam atirados diretamente nos rios ou em local que possa poluir o ambiente. Calcule a quantidade necessária de recipientes levando em conta o tamanho do grupo e o tempo que permanecerão na caverna. Embora seja prática pouco convencional, as mulheres podem utilizar um funil para facilitar o ato de urinar em uma garrafa. Para saber um pouco mais sobre o tratamento de dejetos em permanências prolongadas em áreas naturais, siga as sugestões do Pega Leve! Caminhadas e Acampamentos.
Retire todo o resíduo de carbureto que produzir (a cal), pois quando deixado no interior da caverna, além do impacto visual que produz, ele se solidifica, dificultando sua remoção. Há especulações que devido ao seu PH alto, pode alterar o desenvolvimento normal de espeleotemas, de alguns animais que aí vivem e da própria caverna. Como a cal é corrosiva, deve ser tratada com cuidado, acondicionando-a em embalagem estanque e resistente que impeça vazamentos ou penetração de água. A cal pode causar queimaduras severas em contato prolongado com a pele. As pilhas usadas também devem ser removidas da caverna e preferencialmente destinadas à reciclagem ou depositadas em locais que as recolham e dêem destino adequado. As pilhas comuns e alcalinas possuem compostos químicos e metais estranhos à caverna. As pilhas recarregáveis nunca devem ser jogadas no ambiente, nem mesmo no lixo comum. Existe legislação específica que obriga o fabricante a recebê-las de volta e destiná-las a um fim seguro. Estas baterias possuem metais pesados perigosos à saúde animal e humana. Guarde-as bem, não as deixe molhadas nem exponha ao fogo.
A ética de mínimo impacto recomenda que nada se deixe nos ambientes naturais. Isso se aplica especialmente aos restos de comida em cavernas. No ambiente subterrâneo, os restos de comida eventualmente esquecidos levam muito mais tempo para se decompor e podem interferir de modo danoso com os hábitos alimentares e os ciclos vitais da fauna e dos microorganismos. Tome extremo cuidado para não abandonar restos na caverna, até mesmo migalhas. Deixe para lavar panelas e utensílios de cozinha após sair da caverna e cuide para que os restos de comida também não acabem no ambiente externo. Deixe a caverna como se ninguém houvesse passado por ali. Colabore para que os próximos visitantes também tenham essa sensação recolhendo o lixo que eventualmente encontrar, mesmo que não seja você que o tenha deixado. |
Deixe Cada Coisa em seu Lugar
Não retire nada da caverna. Mesmo os espeleotemas quebrados ou caídos não devem ser removidos para seguirem sua evolução natural. Deixe a caverna como encontrou. Muitas cavernas guardam vestígios como pinturas rupestres, utensílios e restos de habitantes pré-históricos. Nunca risque as pinturas e evite até mesmo tocá-las para que não se deteriorem. Caso ache pontas de flechas, pedaços de utensílios ou até mesmo ossos, não os retire do lugar. Fotografe e anote onde os achou para poder informar na volta. Também evite pisar muito perto de sua descoberta e caso tenha acidentalmente movido algo, ponha de volta na exata posição em que estava. Fotografe e anote a peça que foi movimentada e se você não souber recolocá-la na posição original não tenha medo de relatar, pois é uma informação importante para os pesquisadores. Ao retornar de sua viagem, verifique se o local não é um sítio arqueológico já conhecido e informe sua descoberta aos responsáveis pela área, à SBE ou aos pesquisadores nas universidades. O mesmo procedimento deve ser adotado com ossadas de animais. Somente especialistas podem avaliar se são descobertas paleontológicas ou restos de animais recentes. Mesmo sendo recentes, podem ter valor para pesquisas sobre a fauna local. |
Evite acender fogueiras
As tochas são o meio menos indicado para iluminar cavernas, por produzirem muito mais fuligem do que a iluminação de acetileno e pelo grande risco de marcar e enegrecer os espeleotemas pelo contato com o fogo e a fumaça, além do risco de derramamento de combustível e de acidentes. As tochas acumulam também a desvantagem de durar muito menos que outros meios de iluminação. |
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Respeite os Animais e as Plantas
As cavernas são ecossistemas onde os processos naturais são muito mais lentos e sensíveis que no exterior. Nesse ambiente subterrâneo, privado de luz e onde a temperatura e a umidade relativa do ar quase não se alteram, as modificações introduzidas pelo homem podem acarretar efeitos desastrosos. Não deixe restos de comida para não provocar um desequilíbrio neste ecossistema pela súbita oferta de alimentos, que pode causar a proliferação de algumas espécies, em prejuízo de outras. A vida na caverna é, em geral, tanto mais escassa e rara quanto mais distante da luz e da água. Assim, o cuidado com esse ambiente deve aumentar quanto mais você se afasta da entrada. Não mate nenhum animal, por mais insignificante ou ameaçador que pareça. Ele faz parte do equilíbrio deste ecossistema. Evite tocar os animais, o stress pode desorientá-lo, causar uma reação de ataque e até levar a morte. Alguns tipos de artrópodes como insetos, aranhas, escorpiões e lacraias, podem picar e inocular veneno. Serpentes são eventualmente encontradas nas proximidades das bocas das cavernas, muito raramente nas partes mais profundas. Sempre que encontrar um animal potencialmente perigoso evite aproximar-se, passando a uma distância segura. Embora haja poucos relatos confiáveis de mamíferos de
maior porte utilizando cavernas como toca, tome cuidado para não
se aproximar de qualquer animal. Seu instinto de proteção
pode desencadear um ataque feroz, mesmo de animais pequenos. Nunca ponha
as mãos, nem se aproxime, de filhotes e de ovos. |
| Seja cortês com outros visitantes e com a população
local
Caminhe em silêncio, preservando a tranqüilidade e a quietude das cavernas e das matas ao redor. Se for necessário estabelecer um acampamento, faça-o em locais discretos e fora do caminho principal. Mantenha silêncio no acampamento e respeite o descanso de outros grupos que eventualmente encontrar. Lembre-se que a atividade de pesquisa e levantamentos em cavernas pode ser muito exaustiva e uma equipe envolvida nessas atividades pode estar descansando em horários pouco habituais. Ao encontrar os moradores da área, trate-os com cortesia e respeito. Respeite e aprecie os rituais, crenças e tradições que utilizam as cavernas como locais de devoção. Relate qualquer irregularidade ao administrador ou responsável pela área; não surtindo efeito, procure as organizações ambientalistas e a imprensa. |





